Se alguém bater na porta de qualquer empresa, de qualquer tamanho, em qualquer lugar do mundo, e perguntar: - Bom dia, dona empresa, quais sãos os seus principais problemas? Com certeza ela vai responder: – Ah, meu filho, muitas vezes é a falta de capital de giro, mas o que me incomoda mesmo é esta tal de comunicação, não consigo conviver com ela.
Todos dizem que precisam fazer alguma coisa na área da comunicação interna das suas empresas: - É um trabalho urgente, dizem uns. Só a comunicação vai nos ajudar com o pessoal das lojas, adiantam outros. – O maior problema desta empresa é a falta de comunicação entre nós mesmos, assumem os supervisores. Mas, tais quais nossas resoluções de ano novo, quando juramos terminar o interminável curso de inglês, retomar a dieta e a musculação ou a poupança para a velhice, a intenção dos diretores das empresas fica somente na intenção. Não começam nunca. E por que será que não conseguem? Já pensei muito sobre o assunto e acredito que não começam porque não sabem por onde começar. Dúvidas cruéis aparecem: Quem será o responsável pela tarefa? Quem vai escrever o “jornalzinho”? Em qual departamento ficará este assunto? Que ferramentas usaremos? Quanto vai custar isto? E a frase que condena o assunto para o fundo das gavetas: – Vamos organizar um comitê para tratar desse assunto.
Vejamos o que ela pode fazer como instrumento de gestão: a comunicação é como o amálgama na junção de dois componentes químicos, ela proporciona a ligação entre as partes, faz a inter-relação das pessoas. O que pouca gente percebeu e, por isso fica correndo por caminhos errados, enchendo falsos gurus motivacionais de dinheiro, é que a ferramenta mais eficaz para promover a tão almejada motivação da equipe é uma boa e bem trabalhada comunicação interna. Também na área da gestão, só a comunicação é capaz de criar o que chamamos de senso de pertencimento. Explico: o ser humano tem necessidade atávica em participar de grupos……..
As preocupações que tiram o sono dos novos diretores de marketing e de vendas são: como reter pelo maior tempo possível os clientes nas carteiras comerciais das suas empresas e fazê-los perceber que seus produtos ou serviços têm qualidade e que por isso devem pagar mais por eles. Um trabalho digno de Hércules, já que a velha fidelidade foi-se embora com o excesso de ofertas e de informações. Para isso foi inventado o tal do marketing de relacionamento, que muitos erroneamente pensam realizar só com a compra ou a contratação de equipamentos da moderna eletrônica e telecomunicação. O relacionamento exige muito mais do que isto. Ele não se compra, se pratica e se administra. E uma empresa só vai realizar, mesmo, o relacionamento com o mundo exterior se, antes disso, souber catequizar aqueles que trabalham para si. O papel do novo gestor passa a ser um papel de saber gerir parcerias. E isto só será possível mediante a comunicação interna. Sem comunicação não há relacionamento, sem relacionamento não há vendas, sem vendas não há empresa…………
A comunicação em uma empresa precisa ter um “dono” – alguém que zele por ela. Este profissional poderá vir de qualquer área, se vier das ciências humanas, melhor. Cartesianos não são bons comunicadores, não sabem repartir o que sabem. Este profissional deverá ser um hábil negociador, um bom político e saber caminhar com desenvoltura pelos espaços do poder. Quem cuida da comunicação interna trabalhará sempre ao lado daqueles que mandam. Deverá também ser um editor refinado, saber montar as pautas com extrema competência, andar pela empresa, seja ela do tamanho que for, buscando assuntos como um perdigueiro atrás da caça. Ficar sentado na internet e esperar que as coisas cheguem até você vai te tornar medíocre ao longo do tempo. As coisas importantes acontecem nos chãos de fábrica, nos laboratórios e nos espaços de vendas. Processar a comunicação empresarial é trabalho para 24 horas por dia, 365 dias por ano.

Comunicação organizacional: onde melhorar?




