É bastante difícil para as pessoas transformarem a própria capacidade e talentos em oportunidade para o sucesso na carreira porque geralmente, elas ficam presas à visão de que seu perfil e qualidades estão atrelados exclusivamente às atividades ou tarefas realizadas nas últimas vivências profissionais. Falta a visão de que a aprendizagem é obtida em diversos contextos de vida pessoal e profissional e que esta poderá ser “transferida” para novos contextos. É importante valorizar este processo de construção das capacidades, como resultado da experiência anterior, das competências desenvolvidas e da abertura de novas perspectivas de contribuição em espaços de trabalho estimuladores.
As regras do jogo no atual mundo corporativo mudaram e existe um jogo da vez. O mundo corporativo depende da criação de um clima organizacional estimulador para as inovações, no qual os funcionários não tenham receio de serem diferentes, de criar, com liberdade para fazerem as coisas de maneira diferente. Entender sobre o negócio, sobre a área de atuação e sobre a contribuição a ser agregada com o perfil pessoal e profissional permite entender as novas regras que permeiam o mundo das competências. Para facilitar a compreensão do jogo atual podemos utilizar as concepções de Alvin Toffler sobre a história da civilização, que nos ensinou que já passamos por três ondas de transformação: a primeira compreende o período agrícola, a segunda o período industrial e a terceira o período da revolução da informação.
Então como essa questão histórica e até mesmo a visão sociológica atinge as pessoas e as empresas?
Poucos devem ter se perguntado sobre porque a informação se tornou tão importante na terceira onda. A razão está no fato de que os sistemas sociais, isto é, a sociedade, se desmassificou, e vem tornando-se cada vez mais complexa, quase que impossível de geri-la sem informação e sem tecnologia da informação (computadores e telecomunicações). Na nova civilização e no mundo corporativo da terceira onda é necessário que processos sejam continuamente melhorados, produtos modificados, sendo, consequentemente, exigido um alto grau de inovação por parte das empresas (competências organizacionais) e por parte de seus funcionários (competências individuais).
A liderança pessoal hoje é um pilar para o engajamento profissional porque há a necessidade de cada um pensar, sentir e agir em benefício da construção do SER que irá lidar com toda esta complexidade deste nosso contexto de vida e de sociedade. Nada é certo. Liderança pessoal implica desenvolver as capacidades de aprender a conhecer, aprender a fazer e aprender a conviver e, a partir do desenvolvimento desses três pilares possibilita o pilar do aprender a ser, capaz de sobreviver na complexidade do dia a dia.
Percebe-se que há uma necessidade de mudarmos os próprios modelos mentais e não é apenas uma exigência do mercado. Qualquer um pode estar sendo manipulado inconscientemente, na vida pessoal, por vícios mentais e de hábitos. Exemplo está no uso indiscriminado de drogas psicotrópicas tais como álcool, cocaína e ansiolíticos, entre outros, que camuflam a ansiedade, a tensão, o sofrimento, assim como impossibilitam o estar presente e consciente, um forte indício da necessidade do indivíduo rever os modelos mentais. As doenças psicológicas, tais como ansiedade, depressão, transtorno do pânico, boardline e outros reforçam essa necessidade. A psicóloga Maria de Lurdes Zamora Damião adverte que “a violência social acontece, principalmente, porque não conhecemos e nem sabemos administrar nossas paixões e emoções. Conhecer-se, perceber o que tem significado para nossa felicidade é o primeiro passo para assumir o poder e a responsabilidade por nossa caminhada.”
É hora de aprendermos novas competências para liderarmos nossa vida pessoal e profissional, buscando aprender com áreas de estudos, bem diferentes daquelas de nossa formação específica, como psicologia, atualidades, sociologia, arte e cultura, que ajudam na capacidade de entender nosso contexto global de vida e trabalho. Essas novas áreas de interesse possibilitam aos profissionais acompanhar a própria evolução do homem e entender o contexto no qual cada um está inserido. Por exemplo, o conhecimento da cultura que nos cerca é fundamental para o entendimento de nossos condicionamentos e propensão para determinados pensamentos, emoções e ações. O desenvolvimento de liderança com crença nas competências ocorre quando o ser humano está apto a correlacionar informações e contextualizar a aprendizagem para seu melhor engajamento na vida. Buscar conhecimentos mais ampliados e ir além da área de formação técnica é sinal de sabedoria porque facilita o saber lidar com a diversidade de culturas e formas humanas de organização presentes na teia global. Uma visão humanística de como caminha a humanidade pode permitir um melhor posicionamento dos profissionais quanto ao desafio da complexidade social e pode estimular a integração de conhecimentos para a construção de cenários mais favoráveis à sustentabilidade da própria vida e das relações humanas.
Os conhecimentos sempre estiveram disponíveis, mas o senso comum, a necessidade de fixar rituais, rotinas, dogmas, impediram e deram a falsa ilusão ao homem de que ele poderia eternizar uma situação ou um padrão. Hoje ainda temos muitas pessoas relutando em aceitar essas mudanças de paradigmas, desperdiçando suas vidas, permanecendo presas a uma prisão psicológica, que elas próprias se impuseram. Os acomodados e apoiados nas muletas que a “Zona de Conforto” providencia, sempre existiram e continuarão existindo, apesar da pressão sofrida. É mais fácil culpar a Deus por nossos fracassos do que assumir a responsabilidade por nossas escolhas, sucesso e fracassos.
O mercado de trabalho oferece espaço para todos, mas o importante é que o indivíduo tenha intimidade com seu padrão, para não ser sabotado por ele na hora de buscar seu engajamento profissional. Além disso, o reconhecimento de tipo comportamental individual possibilita a percepção dos próprios pontos fortes, pontos mais frágeis, que merecem ser desenvolvidos porque o autoconhecimento leva ao caminho do autodesenvolvimento. Apostem neste caminho.
Uma carreira deve ser construída com base em pontos fortes e talentos, isto é nas competências mais desenvolvidas, mas atenção porque isso não pode dispensar o desenvolvimento de outras competências, que com certeza enriquecem a performance do indivíduo. Maria de Lurdes Zamora Damião sugere que cada um “desarme-se e munido de humildade, vontade e comprometimento com sua própria vida aprenda a desligar o “piloto automático” e observe-se em cada pensamento, sentimento e ação. Entenda-se, respeite-se e supere-se.”
Autora: Isabel Macarenco com Maria de Lurdes Zamora Damião são autoras do Livro Competência: a essência da liderança pessoal. Editora Saraiva, 2011, 2ªed.
Isabel Macarenco é Coach de carreira
MSN: isabel.macarenco@hotmail.com.
e-mail: imacarenco@yahoo.com.br

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