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Psicóloga organizacional mostra que saúde mental será prioridade para o RH

Se antes da pandemia os trabalhadores já andavam estressados, ansiosos e deprimidos, com a chegada da doença a situação se intensificou. Além do medo de se contaminar com o coronavírus e do receio de perder o emprego, muitos estão trabalhando de casa, equilibrando pratinhos entre atividades profissionais, tarefas domésticas e educação remota dos filhos.

Uma pesquisa recente do Ministério de Saúde mostrou que 86,5% dos brasileiros relataram ansiedade; 45,5 demonstraram transtorno de estresse pós-traumático e 16% apontaram depressão em meio à crise sanitária.

Como os efeitos da pandemia devem se estender em 2021, as empresas terão de lidar com funcionários à flor da pele. E, se não houver um plano para isso, os negócios sofrerão o baque. Para mostrar o papel do RH neste contexto tão desafiador, convidamos para nossa última live do ano, transmitida via YouTube na última segunda-feira (7/12), Edwiges Parra, psicóloga organizacional, especialista em recursos humanos e colunista da revista Você RH.

Assista à live completa:

 

No início da conversa, ela disse que ao falar de saúde emocional no mundo do trabalho era importante contextualizar e analisar os fatos que já vinham fragilizando as pessoas. De acordo com ela, excesso de informação, crise econômica, polarização política, desemprego em alta são alguns desses fatores.

Analfabetismo emocional

“Quando falamos de nutrição, imagina-se a pessoa comendo bem. Já quando falamos em saúde física, o que vem à nossa mente é uma pessoa se exercitando, comendo de maneira saudável, sorrindo. Quando falamos em saúde mental, pensamos logo em doença mental. Precisamos trazer o conceito de saúde mental para lugar correto”, disse ela. E prosseguiu: “Saúde mental também é alguém se exercitando, alimentando-se bem, trabalhando com dignidade, cuidando dos filhos e gerando impacto positivo para si, para os outros e para o ambiente em que vive.”

A psicóloga chama a falta de conhecimento sobre o assunto de “analfabetismo emocional”. “Esse é um problema sistêmico no Brasil. Quando os profissionais chegam em meu consultório, com Ph.D em administração, economia, e eu pergunto: ‘O que é pensamento?’ Ou questiono: ‘O que está sentindo? Como a tensão se manifesta no seu corpo?’ As pessoas travam. Se não compreendo a mim mesmo, como vou compreender uma equipe?”

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Perguntada como resolver o dilema, Edwiges disse que o primeiro passo é promover ações educacionais para explicar e desmistificar sentimentos, ensinando aos colaboradores gestão das emoções. “Se tenho o gatilho e sei reconhecê-lo, vou manejar o impacto e a resposta que dou a ele. Quando os líderes entendem as emoções, conseguem identificá-las nos outros e se engajam na causa.”

Por isso, o RH deve assegurar que a alta liderança da empresa esteja comprometida com a saúde mental, saiba o valor disso e também entenda o tempo que ações do tipo levam para começar a surtir os primeiros efeitos. “Não nascemos prontos e mudança não acontece da noite para o dia. Quando estamos falando de processo cognitivo e comportamental, imediatismo não funciona. Uma cultura de saúde mental é consolidada num prazo de cinco anos.”

Convencendo a alta liderança

Em 2019, Edwiges ministrou um curso para C-Levels na Fundação Getulio Vargas sobre liderança autoconsciente e, no que vem, ministrará para o mesmo público uma disciplina voltada exclusivamente para saúde mental. Experiente, ela diz que a melhor maneira de convencer o alto escalão de uma companhia é com dados. “É preciso trazer argumentos conectados à realidade, com referências, impactos e custos correlacionados, além de tendências e estudos de instituições respeitadas pelo mercado, como o Fórum Econômico Mundial, em Davos [Suíça].”

Estudos como o da Universidade de Harvard projetam que em 2030 as perdas com saúde mental podem ultrapassar 16 trilhões de  dólares globalmente, com enorme impacto na produtividade. “O cenário de ansiedade e depressão que vínhamos calculando para 2030 foi antecipado pela pandemia e mostrar o quanto isso deve trazer de prejuízo é fundamental. Quando você apresenta dados, os executivos escutam”, disse a especialista.

Durante a live, ela também falou sobre conceitos como segurança psicológica e mostrou a importância do agradecimento num ano tão difícil. “As pessoas precisam ser reconhecidas pelos seus esforços, isso é extremamente importante neste momento.”

Veja a conversa na íntegra aqui

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