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Diretor de RH fala do processo de transformação cultural do Next, o banco digital do Bradesco

Uma pesquisa recente do GPTW (Great Place to Work) mostrou que sete em cada dez das Melhores Empresas para Trabalhar do país fizeram alguma mudança cultural ou de práticas nos últimos três anos.

Ou seja, transformação cultural é algo que está acontecendo (e muito) entre as companhias mais importantes do nosso país. Para conversar sobre o tema a Companhia de Estágios recebeu Victor Queiroz, diretor de RH do banco digital Next, em live transmitida na última segunda-feira (9).

Após 12 anos de uma bem-sucedida trajetória no Bradesco, onde foi diretor de RH, Victor migrou para o Next com o desafio de estruturar a área de pessoas, fazer uma renovação cultural, desenvolver times ágeis e acelerar a digitalização. “O Next é um bom case para falar de valores e cultura. Ele é um banco digital incubado dentro de um grande banco tradicional e minha missão é ajudá-lo a ter  identidade, cultura e propósito próprios”, afirma Victor.

Sobre a confusão conceitual que existe entre cultura e valores, o executivo disse que valores são intrínsecos. Eles formam o caráter e, portanto, são inegociáveis — o que é diferente de crenças, que são atemporais e mais dependentes do contexto. “Já cultura é um reflexo do comportamento coletivo das pessoas.”

Assista à live na íntegra:

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À frente da área de pessoas da fintech, Victor está mergulhado em pesquisas metodológicas para transformar a cultura organizacional. No bate-papo, ele contou sobre essa jornada e compartilhou alguns dos teóricos que vem estudando. “Uma metodologia que estamos usando bastante é a de níveis de consciência, do Richard Berret, em que ele mostra como fundamentar decisões, estratégias e até mesmo a atração de talentos com base em valores. Segundo ele, quanto maior o nível de consciência entre pessoas e empresa, maior a possibilidade de uma transformação acontecer.”

Questionado sobre a importância da digitalização, o diretor de RH disse que ela não é um diferencial competitivo, mas sim uma condição de existência. “Entendo a digitalização muito mais como uma mudança de comportamento da sociedade pela facilidade, simplicidade, alcance e barateamento que ela traz do que como um elemento de diferenciação.”

Dor do crescimento

Na conversa com a Companhia de Estágios, Victor falou também dos desafios de sua jornada no Next. De acordo com ele, não é fácil emancipar uma empresa. “Nós fazemos muito a analogia do adolescente que saiu da casa dos pais. O momento que vivemos no Next se assemelha a essa situação de estar entrando na vida adulta com todas as responsabilidades e autonomia que isso traz”, explica. “Neste processo de desacoplamento do Bradesco, nós ganhamos autonomia na tomada de decisão, mas isso exige do time e das nossas práticas internas muito mais solidez. Decisões trazem consequências.”

E a liderança vem sendo essencial neste processo. “O papel de um líder na transformação cultural é crítico, seja pelo cargo, pela responsabilidade ou pela influência que exerce nos outros. Nós concentramos bastante energia nos líderes. Estamos fazendo conversas muito próximas com eles e a figura do gestor de RH estratégico, conectado à realidade do negócio, é fundamental neste contexto.”

Para ele, o RH tem de conhecer números, saber para onde as decisões estão caminhando e conhecer o debate estratégico da companhia. Afinal, em sua opinião, a área de recursos humanos só consegue ter clareza de como a chefia está vivenciando a realidade se entender a lógica do negócio.

Tecnologia e inovação

“Hoje, o ‘novo pacote Office’ é saber mexer num aplicativo de imagem, saber programar algo básico. Se o iletrado do século 20 era o do lápis e do papel, o do 21 é aquele que não tem acesso à tecnologia.”

Sobre a pressão que existe nas startups para escalar e inovar, Victor  contou que a fintech vem investindo em ações para preparar o time a lidar com mudanças constantes, prazos apertados e crescimento acelerado. “Percebemos, por meio de pesquisas pulse, como o time estava se sentindo e passamos a fazer mais ações de bem-estar e saúde. Começamos um programa de mindfulness, estamos fazendo uma série de lives com dicas e orientando a liderança para que os times consigam equilibrar a pressão. Estamos aprendendo e não há soluções prontas no repertório do RH”.

Entre outros assuntos, o diretor de RH abordou o conceito de mindset fixo e de crescimento, difundido pela psicóloga Carol Dweck, e explicou a diferença entre agilidade e ansiedade. “O que define a agilidade não é a velocidade, é o foco”, diz Victor. Assista na íntegra em nosso canal do YouTube.

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