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Conteúdos para RH

IA no dia a dia: aliada da produtividade ou nova pressão para jovens profissionais?

IA no dia a dia: aliada da produtividade ou nova pressão para jovens profissionais?

Segundo uma pesquisa da Amcham Brasil, 84% das empresas brasileiras já utilizam a Inteligência Artificial em seus negócios. Mas qual será o efeito real da IA no dia a dia de estagiários, trainees e jovens aprendizes?

Entre a empolgação com as novas ferramentas e o receio de ficar para trás, o mercado assiste a uma transformação profunda na forma de trabalhar. E isso pesa, sobretudo, sobre os talentos em início de carreira.

Neste artigo, convidamos o RH a refletir: até que ponto a tecnologia ajuda a trabalhar melhor e quando ela começa a criar uma nova pressão por alta performance

Entendendo o boom da IA no mercado de trabalho

Como mostramos no início do texto, nos últimos anos a IA se tornou uma espécie de colega de trabalho de muitos profissionais.

Hoje, boa parte das empresas já utiliza recursos de Inteligência Artificial em alguma etapa da rotina. E, se existe um subcampo dessa tecnologia que ganhou os holofotes nos últimos tempos, é a IA generativa.

Para se ter uma ideia, em 2024 a consultoria McKinsey estimou que 65% das empresas usavam a Gen AI. E, de lá pra cá, esse uso só se intensificou, especialmente para apoiar atividades como:

  • Criação e revisão de textos: apoio na produção de e-mails, relatórios, posts e outros formatos de conteúdos. 
  • Pesquisa e organização de informações: síntese de documentos, resumo de reuniões, levantamento de dados e identificação de insights a partir deles;
  • Brainstorming: ideias para projetos, campanhas e soluções;
  • Automação de tarefas: auxílio em atividades repetitivas e operacionais, como, por exemplo, formatação de planilhas;
  • Criação de apresentações: estruturação de conteúdos e sugestões para slides. 
  • Programação e desenvolvimento: geração, revisão e explicação de códigos.

Resumo da ópera: com o uso da IA generativa no ambiente corporativo, tarefas que antes consumiam horas, hoje podem ser concluídas em minutos.

O impacto da Inteligência Artificial na rotina de trabalho de early career

Se, por um lado, o uso da IA no dia a dia vem impulsionando ganhos para empresas e profissões, por outro, seus efeitos também já começam a aparecer na empregabilidade de jovens talentos.

Segundo um estudo conduzido pelo pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), profissionais entre 18 e 29 anos passaram a registrar uma perda maior de empregos após a popularização da IA.

Esse movimento está relacionado, sobretudo, à capacidade da tecnologia de assumir tarefas de entrada, como atividades administrativas, que tradicionalmente são atribuídas a quem está começando a carreira.

Ao mesmo tempo, esses jovens enfrentam outro desafio: o de acompanhar o ritmo imposto pelas novas ferramentas. 

Afinal, quando a IA é capaz de escrever, analisar, resumir e organizar informações em poucos segundos, também pode surgir a expectativa de que o profissional esteja sempre disponível, produzindo mais e entregando em menos tempo.

Outro ponto que merece atenção é o uso de IA de forma indiscriminada – não por má intenção, mas por falta de orientação. 

Quando um jovem usa a tecnologia para realizar tarefas que deveria aprender a fazer por conta própria, ela deixa de ser um acelerador e passa a ser um atalho que compromete o desenvolvimento.

É aqui que a dependência tecnológica no early career passa a ser um risco real: profissionais que não desenvolvem raciocínio crítico, escrita própria ou capacidade analítica chegam a posições mais sênior com lacunas difíceis de preencher.

Como encontrar um equilíbrio que potencialize ao invés de intimidar?

A resposta para essa pergunta não está em substituir pessoas, proibir a tecnologia e nem em exigir performance sobre-humana, mas sim em criar uma cultura de uso consciente da IA no dia a dia.

Para apoiar estagiários, trainees e jovens aprendizes a navegarem por essa transição, o RH e as lideranças podem adotar ações, como:

Incentivar o pensamento crítico acima da velocidade

O foco não deve ser apenas entregar mais rápido, mas entender o porquê daquela entrega.

Estimule o jovem a checar dados, questionar respostas geradas por IA e adicionar seu toque pessoal e analítico ao resultado final.

Oferecer treinamentos práticos de letramento digital

Não assuma que a Geração Z já sabe usar ferramentas de IA no dia a dia de trabalho só porque nasceu na era digital. 

Criar workshops sobre engenharia de prompts, uso ético da tecnologia e segurança de dados corporativos pode ajudá-la a tirar o melhor proveito das soluções disponíveis.

Mapear tarefas operacionais vs. momentos de aprendizado

Defina claramente o que pode ser automatizado e o que precisa ser feito “na mão” nas primeiras semanas de contrato. 

Executar tarefas básicas no início do early career é fundamental para construir repertório, raciocínio lógico e visão de processo.

Promover a segurança psicológica 

Reduza a pressão por entregas imediatas e abra espaços de conversa para que os jovens compartilhem suas dúvidas e receios em relação ao futuro da profissão.

Um ambiente em que perguntas são bem-vindas ajuda a evitar tanto o uso excessivo quanto o medo de utilizar a tecnologia.

Estabelecer limites claros para evitar o Burnout

A hipereficiência não deve significar aumento desproporcional de carga de trabalho. 

Se uma atividade ficou mais rápida com o apoio da IA no dia a dia, isso não significa que o profissional precisa assumir automaticamente mais tarefas. 

O tempo economizado também pode ser direcionado ao desenvolvimento de novas competências.

Considerações finais

Com a evolução da IA, algumas tarefas operacionais podem, de fato, ser automatizadas. Mas isso não diminui a importância de quem está começando a carreira. 

Pelo contrário: as empresas continuam precisando de jovens talentos capazes de aprender, propor novas ideias e enxergar problemas por diferentes perspectivas.

Quer aprofundar essa conversa? Aproveite para conhecer também 6 riscos de não desenvolver a próxima geração de profissionais!